Sínodo Pan-Amazônico – Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral

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Pe. Nelito Dornelas

 “Cristo aponta para a Amazônia” (São Paulo VI)

As palavras do Papa Francisco aos Bispos do Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, deram um novo impulso para a Igreja que está na Amazônia, como afirmam os bispos dessa região: calou fundo em nosso coração a expressão do papa que a Amazônia é“teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileiras” (Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013). Essas palavras incentivam-nos a retomar as intuições de Santarém 1972 e Manaus 1974 e dar-nos conta da atualidade as prioridades de então: formação de agendes de pastoral, comunidades cristãs de base, pastoral indígena, grandes projetos e juventude. (Carta da Igreja Católica na Amazônia Legal, Manaus, AM, 28 a 31 de outubro de 2013).

E o Papa Francisco anunciou no dia 15 de outubro de 2017, a convocação do Sínodo Pan-Amazônico, a realizar-se em outubro de 2019, em Roma, para refletir sobre o tema: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. Esses novos caminhos de evangelização devem ser elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades e grandes metrópoles, ribeirinhos, migrantes e deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas.

Conhecendo a Amazônia Continental e a Amazônia Legal

A Amazônia fica ao norte da América do Sul e atinge parte do território de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia brasileira abrange nove Estados: Pará, Amazonas, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, compreendendo uma área de 4.196.943 km², cerca de 49,29% do território nacional.

Só a Amazônia brasileira é sete vezes maior que a França e corresponde a 32 países da Europa Ocidental. A ilha de Marajó, que fica na embocadura do rio, é maior que alguns países como a Suíça, a Holanda ou a Bélgica. A Amazônia abriga mais de 200 espécies de árvores por hectare, compreendendo 35 mil espécies diferentes, 3.000 tipos de peixes, 1.300 espécies de pássaros e 300 de mamíferos, totalizando mais de 2 milhões de espécies.

A Amazônia representa um terço de toda a área de florestas tropicais do mundo, 20% de água doce e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta, tendo uma população estimada em mais de 20 milhões de pessoas, das quais, 62% vivem na zona urbana e 38% na zona rural. Das doenças parasitárias da população, a malária é a principal endemia, sendo o peixe a principal fonte de alimentação da população.

Quanto aos Rios, existem três tipos de água: branca – Solimões, Amazonas e Madeira; água preta – Negro e Urubu; água clara – Tapajós e Trombetas. O clima amazônico é caracterizado por umidade elevada durante todo o ano, com valores de umidade relativa de 90% a 99%, numa temperatura de 30º C a 35º C. As chuvas são abundantes, entre 3500 e 6000 mm/ano e, em certos períodos os volumes de água provocam enchentes nos rios inundando vastas regiões.

O nome Amazonas foi dado pelo frei espanhol Gaspar de Carvajal, o primeiro cronista europeu a viajar pelo rio, durante a expedição de Francisco de Orellana, na primeira metade do século XVI. O frei afirmou que sua embarcação foi atacada por mulheres que, como na mitologia grega das amazonas, pretendiam escravizar os homens para procriar antes de matá-los.

O ano de 2019 foi declarado pela Organização das Nações Unidas, a ONU, como o Ano Internacional das Línguas Indígenas.

Por sua importância na vida e na manutenção da riqueza cultural ligada aos povos originários, os idiomas indígenas devem receber maior atenção para que seja garantida a sua proteção e, consequentemente, a da identidade dos povos. A ONU contabiliza mais de cinco mil grupos distintos em cerca de 90 países e que falam a maioria das sete mil línguas do mundo. De acordo com o padre Dário Bossi, assessor da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, na Amazônia são 3 milhões de indígenas, compreendendo 390 povos e 240 idiomas vivos.“Uma língua é cultura, é visão do mundo, é um canal para se encontrar com Deus. É um tesouro de conhecimentos tradicionais e a expressão de uma profunda integração com o meio ambiente, com a natureza, especialmente nas culturas indígenas”, afirma o Pe. Dário, lembrando que os povos indígenas e suas culturas estão profundamente ameaçados.

O Papa Francisco se encontrou com representantes destes povos originários no México, no Peru e no Chile e agora vai encontra-los no Sínodo Pan-Amazônico. Em uma destas ocasiões, o papa aprovou a tradução da Bíblia feita em três idiomas indígenas.

Acompanhemos com nossas orações, reflexões, debates e estudos o Sínodo Pan–Amazônico. Ele interessa a toda a Igreja e à sociedade para além da Amazônia. Frutos maduros nascerão deste Sínodo.

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