Cristo Bom Pastor

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Vidas por um fio! Saúde em colapso. Política em crise.Suscetibilidades afloradas.Mortes são números. Luto não curtido é dor doída. Daí? O POVO PARECE OVELHAS SEM PASTOR.

O tempo é de CUIDAR e SOLIDARIZAR. A hora é para gestos e afetos do que palavras. No silêncio colemos os sentidos na sensibilidade de Jesus. Ousemos afinar o nosso jeito ao jeito de Jesus, o Cristo Bom Pastor.

Jesus é a Porta Aberta pela qual se entra e acessa a vida na liberdade. Ele é o Bom Pastor que desperta pelo nome e ninguém é invisível.Ele caminha conosco e pergunta o que machuca a vida, sopra as cinzas da nossa memória e reaviva a alegria, faz arder o coração com a Palavra de Deus e vive a comunidade na partilha do pão. E nossos olhos se abrem! O Bom Pastor é aquele que acolhe, cuida, protege, promove e dá de sua vida “para que todos a tenham em abundância”. Essa é inspiração e sopro à vocação de Amar e Servir, proposta para o quarto Domingo da Páscoa.

“O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará”

Confiança e gratuidade de Deus, pastor e hospedeiro, numa alegoria repleta de símbolos de esperança e vida (Sl 22) nos alegra. Como atualizar essa proteção e condução?

A imagem do pastor perpassa a tradição bíblica. Ousemos ao desafio de afinar o nosso jeito ao Cristo Bom Pastor, nestes dias de ornamentos e desfiles imperiais.

Permitam-me utilizar imagens e relatos de homens e mulheres de nossa Igreja.

As grandes pastoras são as mulheres sempre presentes nas situações limites: enfermidade, prisão e morte. A festa das mães deveria ser neste domingo: a mãe dormita até a chegada do filho, ela sabe quem chega pelo abrir da porta ou o toque na geladeira.

  1. Hélder Câmara, no pós-concílio deixa as regalias de bispo-príncipe de palácios para morar na sacristia da Igreja.
  2. Luciano Mendes cativava pela sua atitude de serviço na pergunta: se podia fazer algo mais. Certa vez, fomos tomar um lanche numa casa. Era tarde da noite.Uma amiga estava conosco com as pernas quebradas. Nós nos preocupamos como com o bispo. Ele, o bispo, se preocupou com a amiga, voltou-se rapidamente, ajudando-a descer do carro.

Os anônimos e sem batinas são tantos que se perde a conta. Zé carpinteiro gerou dois filhos por ação do Espírito Santo: ambos deixados na porta de sua casa. Todos estes anônimos se dão gratuitamente sem hora marcada.

O nosso jeito de ser “pastor” deve afinar ao Cristo Bom Pastor.

 

Padre Warlem Dias – Diocese de Sete Lagoas

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