COBERTURA ASSEMBLEIA ECLESIAL LATINO-AMERICANA: Fidel Oñoro: “A Escritura nos tira do analfabetismo espiritual”.

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F/ Luis Miguel Modino

 

Luis Miguel Modino – Prensa CELA

A reflexão teológica bíblica é um elemento importante no caminho da Igreja, pois é o fundamento da vida pastoral. Nesta perspectiva, o Padre Fidel Oñoro refletiu no primeiro dia de trabalho da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, no qual se faz um chamado a dispor o coração para discernir em comum nesta Assembleia Eclesial, tendo como referência o texto bíblico que nos convida a ouvir a Palavra de Deus e a cumpri-la.

Um projeto que nos precede

Sua reflexão sobre “A centralidade de Jesus Cristo e sua Palavra em nossa ação pastoral” teve como ponto de partida uma série de perguntas que ele respondeu durante toda a apresentação: “Por que estamos aqui? O que é que convoca e marca esta Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, sempre em comunhão com toda a Igreja? Por que tudo o que temos existe? Por que existe uma Palavra de Deus? Por que existe uma Igreja? Por que somos chamados? Por que falamos de missão? Por que estamos empenhados no discernimento comunitário? De onde vem? Qual é a fonte? Qual é a proposta fundamental?”.

“Estamos aqui porque existe um projeto, um projeto que nos precede. Este maravilhoso projeto é a vontade divina”, disse o biblista colombiano. Este projeto consiste “no fato de que Deus nos chama para compartilhar sua vida e sua felicidade”. Deus nos chama para estar com ele, para conversar com ele, para viver sua vida, para trabalhar com ele”. O desafio é saber ler o plano de Deus, porque é do plano de salvação de Deus que tudo é lido. Um plano de salvação sem o qual “a Igreja não existiria”.

Segundo o Padre Oñoro, a teologia tem sua razão de ser em “criar um diálogo entre esta experiência de fé e cultura, culturas”. A teologia moral em que “somos chamados a uma forma de viver de acordo com o plano de salvação de Deus e esse estilo nos dá identidade”. A liturgia nesse “plano de salvação de Deus deve ser celebrada como uma memória viva”. A pastoral no fato de que “a missão da Igreja é dar-lhe concretude em todos os níveis do ser humano, no indivíduo e na comunidade da pessoa”.

A escuta é sempre traduzida em um caminho

Centrando-se no cuidado pastoral, o religioso Eudista afirmou que “o pastor na Bíblia é antes de tudo Deus”, que “conduz seu povo ao longo do caminho do deserto”. Por esta razão, ele insistiu que “o trabalho pastoral é sempre um exercício de caminho, em êxodo”, onde “a escuta é sempre traduzida em um caminho”. Assim se traduzem os caminhos de Deus, um Deus que se torna um caminheiro, que se encarna em Jesus, que é a Palavra, que escuta os gritos dos esquecidos, que causa um impacto, que também provoca gritos de alegria.

Ser discípulo implica saber ler a cruz, pois “aquele que aprende a ler a cruz a partir da experiência do Ressuscitado é aquele que pode proclamar Jesus Cristo”. Da cruz olhamos a história de uma maneira nova, é uma gramática, “nos dá um olhar e um programa”.

A Escritura está situada em um horizonte vital, que retoma o plano salvífico de Deus, que “abre janelas de observação e compreensão mais profunda”, que “nos tira do analfabetismo espiritual”. Com ele, disse Fidel Oñoro, “lemos os códigos da intervenção criativa, libertadora e sempre construtiva de Deus em nossa história”, mas também “temos luz para perceber os caminhos do Espírito dentro das tribulações que vivemos”.

O biblista insistiu que “somos uma Igreja apaixonada por Jesus, que não joga pelo poder, que sabe que só tem força e capacidade transformadora na história quando se torna humilde e autêntica, quando se torna serva sem pedir nada em troca”. Os discípulos são chamados a sentir com Jesus, também a escutar, uma atitude fundamental durante a Assembleia, a escutar a Palavra e a realidade, buscando “uma ação pastoral mais vigorosa”. Um primado da Palavra no qual a Igreja na América Latina e no Caribe sempre foi pioneira, insistiu Oñoro. Partindo da Palavra, a fim de “fazer circular o Evangelho por todas as veias da Igreja”.

Escutar, meditar, deixar a Palavra entrar em nós

“Somente escutando a Palavra podemos perceber o que Deus nos diz e nos pede, podemos descobrir nossa missão e aquilo a que somos chamados”, segundo o biblista, que sublinhou que “escutar, meditar, deixar a Palavra entrar em nós, permite-nos agir em harmonia com sua vontade”, a vontade de Deus. Daí surgirão novas direções, caminhos de felicidade, entendendo que “a Igreja que escuta é a Igreja em um caminho exodal, desinstalada, peregrina, aprendiz, sempre discípula, agradecida, escutando a vida que quer nascer, escutando o que bate dentro das pessoas, das coisas, mas acima de tudo a Deus”.

Somos colocados nas mãos da Palavra para que ela possa nos orientar, e ele nos convidou a pedir a Deus “um coração que saiba escutar”. Oñoro terminou com as palavras do Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “Não é o mesmo tentar construir o mundo com o Evangelho que construí-lo apenas com a razão”, algo que ele convidou os membros da assembleia “a fazer durante esta semana”.

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