CEBs de Taiobeiras-MG realiza Encontrão

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Frei Gilvander - Assessor do Encontro

As Comunidades Eclesiais de Base são na igreja e na sociedade sinal de fé e libertação. Na sua caminhada profética e missionária defendem vida digna para todos; justiça e direitos iguais. Que o acesso a terra e a água, que o acesso ao alimento, saúde e educação de qualidade seja para todos. Assim como o direito de ir e vir, trabalhar e se divertir, direito de conviver com a família, comunidade e sociedade.

Com o tema: “CEBs e políticas públicas – Vida e dignidade no campo e na cidade”  celebramos os 30 anos de caminhada de nossas Comunidades Eclesiais de Base aqui em Taiobeiras. A vida e a história de nossas comunidades e de tantas pessoas que participaram da construção desta história. Conduzindo a bandeira das CEBs e os roteiros de reflexão que motivaram e continuam motivando os círculos bíblicos e a organização das comunidades ao longo destes 30 anos.

Celebramos também o dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural. Mulheres e Homens incansáveis, que com carinho cultivam a terra e produzem o alimento para o sustento das famílias do campo e da cidade. Representando os trabalhadores e Trabalhadoras Rurais.

Inspirados pela palavra que nos convoca para o compromisso cristão e chamados a ser igreja em saída, as Comunidades Eclesiais de Base da Paróquia São Sebastião de Taiobeiras realizam neste domingo (28) o 14º Encontrão com o tema: “CEBs e Políticas Públicas – Vida e Dignidade no Campo e na Cidade”.  Participaram cerca de 400 pessoas vindas das comunidades de Taiobeiras, Indaiabira, Salinas, São João do Paraíso, Novorizonte e Rio Pardo de Minas.

O encontro teve inicio na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Taiobeiras e seguiu em cortejo passando pelos bairros Nossa senhora de Fátima e Santos Cruzeiro até o Centro de Formação São Sebastião. Tivemos a alegria de contar com a assessoria de Sônia Gomes de Oliveira, residente do Conselho Nacional dos Leigos do Brasil, Frei Gilvander Moreira, assessor da Comissão Pastoral da Terra e do Artista Popular Sebastião Estevão (Farinhada). Estiveram presente as Irmãs religiosas da Paróquia de Taiobeiras e da Paróquia Santo Antonio de Salinas também representantes do movimento sindical, MAB, Movimento Geraizeiro; Escola Família Agrícola Nova Esperança. Associações e mandatos populares. Foi um momento de celebração e formação e animação com apresentações culturais envolvendo os jovens e o grupo cultural “As Mineirinhas”.

“Estamos muito felizes, com a presença de todos. Somos CEBs, povo corajoso. Hoje é um dia muito importante 30 anos de Caminhada das CEBs na Paróquia de Taiobeiras e celebrando o dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. Era para ser um dia de pura alegria, mas vivemos as tristezas pelas perdas de grandes conquistas. Somos convidados a sermos como o Trem das CEBs que anda para a frente, lembrando que precisamos caminhar com um olho na Bíblia e outro na vida. (Geraldo Caldeira Barbosa – diretor do STR de Taiobeiras/MG).

É com grande alegria que nos reunimos mais uma vez neste chão, neste turrão norte mineiro. Para refletir sobre Espiritualidade das CEBs. Poderíamos começar perguntar o que é espiritualidade.    Espiritualidade é o que estamos vivendo aqui hoje, que fala da vida, da realidade, embasadas na Palavra de Deus, no direito e na Justiça. Quando falamos de espiritualidade falamos de Deus que caminha conosco. A espiritualidade das CEBs tem Bíblia na mão e na vida. As músicas das CEBs falam da vida em comunidade. A espiritualidade das CEBs não deve se comparar a samambaia, nem ao abacaxi, nem ao  abacate. Precisamos assumir em nossas vidas a espiritualidade modelo laranja, Igreja organizada com muitas comunidades, dentro do mundo como as sementes dentro da laranja. Tudo junto gosto e sabor. Precisamos ter a espiritualidade de Jesus Cristo, que não fez distinção de ninguém, juntamente com o grande incentivador de uma Igreja em saída, Papa Francisco, de partilha e acolhimento. As celebrações de nossas igrejas nem sempre trabalham a realidade.  A ausência de saúde, água, políticas públicas, se não estava bom, agora está pior. Tomarmos cuidado, com a maneira em que usamos o nome de Deus. Concluiu com musica “ninguém solta a mão de ninguém”.  (Sônia Gomes de Oliveira – Presidente do CNLB).

Frei Gilvander, iniciou sua fala dizendo: dia é tempo de luz, noite é tempo de trevas. Dia parece com Deus. Precisamos trabalhar uma sociedade que valorize a gratuidade. Destacou quatro pontos necessários para se ter Políticas Públicas:  Superar o medo e encher-nos de Coragem e Fé. Honrar Jesus Cristo, Mártir e preso político na época; honrar os antepassados. Lutar por justiça, atacando o mal pela raiz; não basta ser solidários. Ser parecidos com o Bom Pastor do Evangelho de João. Precisamos colocar em prática o Jesus da missão toda, primeira parte solidária, curas partilhas, misericórdia, compaixão; a segunda, luta por justiça e denúncia das injustiças. O Medo é o contrário de Fé e ótimo remédio para vencê-lo é participar de lutas concretas. “Povo unido jamais será vencido. Povo organizado jamais será pisado”. (Frei Gilvander, assessor da Pastoral da Terra).

O momento da partilha dos alimentos nos fez recordar a multiplicação dos pães, narrado por são Lucas 9,10 -17. O alimento vindo das comunidades foi suficiente para alimentar cerca de 400 pessoas e ainda sobrou.  O mesmo se deu na partilha dos 30 bolos que as comunidades trouxeram para a festa dos 30 anos de historia e caminhada das CEBs na paróquia em Taiobeiras. A partilha não acontece somente no alimento, mas também em defesa dos Direitos Humanos. Neste sentido foi elabora e lida uma carta em defesa do Quilombo da Lapinha, município de Matias Cardoso/MG onde 170 famílias se encontram ameaçadas de despejo. A Carta propõe a suspensão do despejo até que vá para pauta da mesa de mediação de conflito do Estado de Minas Gerais.

O encontro teve o encerramento marcado pela a celebração participativa da missa com muita animação com entrada dos vagões do Trem das Cebs, bandeiras de todas as comunidades, os bolos como oferta e fruto do trabalho e da mãe terra e a imagem da mãe Aparecida que nos impulsiona para a luta em defesa dos pequenos, cumprindo a profecia do Magnificat: “Ele agiu com a força de seu braço, dispersou os arrogantes de coração; derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes; encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc1,51-53).

Durante o encontro foi homenageado o Padre Ernesto de Freitas Barcelos.

Na porta do céu /Tira esse avental / E entra logo Ernesto/ Camarada justo e fiel/A casa é tua / Descansa / E não me leves a mal: Da voz rouca / Da pouca saúde da perna /Da viagem breve / Do peso (leve) / Do preço (caro) da coerência /E da licença pra partir.

(Poesia escrita pelo Padre Antônio  Claret)

 Veja as fotos do encontro.

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