“CEBs, clamores e resistência nas lutas populares” em Passos-MG

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Por Denis Wilson

Convocados/as pela memória perigosa da profecia e vida de Jesus de Nazaré e de tantas outras testemunhas;

Convocados/as pelo sangue, martírio, Cruz-Ressurreição dos que caíram, tombaram lutando contra as cercas e sistemas de morte;Convocados/as pelo Evangelho, Boa notícia para os pobres e má notícia para os ricos, que nos sacode com a urgência pelo Reino,

o povo das CEBs se reuniu em seu Encontro Setorial, nos dias 31 de agosto e 01 de setembro, em Passos/MG, com o tema: “CEBs, clamores e resistência nas lutas populares” e lema: “Quando a perna cansa, firme é a Esperança”.

Começamos dizendo de tudo quanto pesa, esmaga e cansa nossas pernas, golpeia nossas forças, nos impedindo de caminhar: ajustes fiscais que penalizam os mais pobres, o massacre das minorias (mulheres, indígenas, negros, LGBTs, sem-terra-teto-salário), o avanço perigoso de um conservadorismo moral que inflige pânico e de fundamentalismos (econômico, social, religioso, cultural).

O cenário que se descortina diante de nós é trágico, violento, autoritário. Pesa, esmaga e cansa. GOLPE! E há muito cansaço, muita decepção, muita claudicação. Mas a gente insistiu: em meio a estes tempos lancinantes, só seremos capazes de nos manter de pé – ousada e corajosamente – se estivermos apoiados uns nos outros. Ombro a ombro, mãos unidas. Nossa força é nossa fraqueza organizada! E nossa união é ensaio do Mundo Novo que acreditamos e construímos.

Dentre nossos problemas está a própria Bíblia. Tão importante e sem importância alguma, hoje, a Palavra de Deus é usada para tudo; principalmente, para dar legitimidade a este perverso discurso da ordem econômica neoliberal (que mostra sua pior face, a neofascista e miliciana), que diminui e ameaça a vida e toda integridade da Mãe Terra.

Perdemos a Bíblia para fundamentalistas e espiritualistas, padres-bispos-pastores, exegetas-doutores. Sequestraram a Bíblia e a trancafiaram nos altares e púlpitos, gabinetes e escritórios, espaços exclusivos das autoridades eclesiásticas e donos do saber.

Mas a PALAVRA… ah! A Palavra continua viva na Vida do Povo. Para-além da rotina estéril de nossas Igrejas e de um cristianismo burguês e apesar da hipocrisia e dos atropelos dos profissionais, burocratas, funcionários da religião. A Palavra acontece nas ruas, praças, vielas, barracos, periferias, ocupações, acampamentos, nos movimentos populares.

DESAFIO MAIOR!

Desafio maior será re-aprender, re-descobrir, re-forçar, fazer aquela re-integração de posse: ou devolvemos a Bíblia para o Povo ou não conseguiremos fazer o enfrentamento necessário para transformar esta realidade que mata, degreda e exclui. É preciso que nos interpelemos pelas dores, angústias, utopias e sonhos, lutas e pelejas desta nossa gente afro-ameríndia, que arranca a vida com as mãos…

COM AS MÃOS!

Com as mãos abertas nossa Esperança, pois “quem disse que não somos nada, não temos nada para oferecer?”. Esperança pouca, pobre, desesperada, encurvada. Mas engajada, militante, teimosa. Naquela militância e teimosia próprias de um povo que é de Páscoa. Naquela militância e teimosia próprias do judeu marginal, fracassado, que, desde a Galileia, teve sua prática violentamente truncada pelas forças do Império e da religião; vivo e Ressuscitado mandou que seus discípulos e suas discípulas o esperassem lá, na periferia da Palestina, onde tudo começou, para começar de novo…

Nesta memória, nossa gratidão, reconhecimento e dívida impagável a Nancy Cardoso, pastora da terra, das mulheres pescadoras e marisqueiras, esta nossa irmã mais querida. Seguimos juntos nesta Igreja dos Pobres em Libertação!

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