A crise socioambiental e as linhas de espiritualidade ecológica na Laudato Si’

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Fr. Isaias Mendes Barbosa, CSsR[1].

A “Laudato Si’” (2015) do Papa Francisco traz novidade no campo da Doutrina Social da Igreja. Trata-se da visão ecoteológica para compreender e interpretar a realidade, os “sinais dos tempos”, a luz da fé cristã, mas tendo como substrato o paradigma ecológico: um novo modo de ver, sentir, viver e se relacionar com Deus e, a partir deste, com todos os seres do nosso mundo: os bióticos e abióticos. Esse paradigma sustenta que não podemos estar inseridos na realidade sem relação, comunhão e co-participação. Nessa dinâmica está a perspectiva relacional, transversal e holística, pois “Tudo está interligado” (LS, n.91).

Esse paradigma observa que o todo e as partes se relacionam de modo cíclico. Assim é a dinâmica autossustentável, mas também vulnerável da natureza. O paradigma ecológico está em confronto com o paradigma antropológico: aquele que a tradição moderna sustentou tendo como ponto de referência absoluto o homem. Sob a luz da fé cristã e do novo paradigma constatamos algo dramático, mas necessário para ser dito: que estamos diante de uma crise. “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental” (LS, n.139).

Esta é resultado do paradigma antropocêntrico que pela fé – mal teologizada e capitalizada – compreendeu, definiue utilizou-se da casa comum, da criação, como objeto de exploração e como mercadoria disponível aos desejos egoístas humanos. Em tal espiritualidade a humanidade, por processos históricos – se relacionou com a natureza para dominá-la (LS, n.67), manipulá-la, transformá-la e, atualmente, recriá-la ao seu bel prazer. A espiritualidade antropocêntrica trouxe consigo grandes males e violência ao nosso ethos socioambiental.

Hoje, com Francisco, estamos adentrando numa rica espiritualidade ecológica e integral. Ele traz algumas linhas de ação inspiradoras que nascem das convicções da fé: a necessidade ética do cuidado do mundo, da mística pessoal e comunitária; uma espiritualidade de comunhão com tudo que nos rodeia (LS, n.216); a necessidade da conversão interior e ecológica a partir de Jesus, da trindade e da vida virtuosa; uma consciência de união com todas as criaturas e responsabilidade na casa comum.

[1] Membro da Congregação dos Missionários Redentoristas. Estudante do curso de Teologia, na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) de Minas Gerais. Professor licenciado no curso de Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Possui pesquisa filosófica e produção literária no Grupo de Estudo em Giambattista Vico, no Grupo de Pesquisa do Observatório de Estética e Espaço Social Pier Pasolini, no Grupo de Pesquisa de Filosofia Medieval. Tem experiência em Monitoria de ensino superior (Filosófico), pesquisa e produção científico-filosófica em Giambattista Vico. Foi bolsista do Programa de Pesquisa do PIBIC/ FAPEMIG, ligada ao Projeto de Pesquisa do Professor Dr. Afonso Murad, na área da Ecoteologia.

 

[1] Membro da Congregação dos Missionários Redentoristas. Estudante do curso de Teologia, na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) de Minas Gerais. Professor licenciado no curso de Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Possui pesquisa filosófica e produção literária no Grupo de Estudo em Giambattista Vico, no Grupo de Pesquisa do Observatório de Estética e Espaço Social Pier Pasolini, no Grupo de Pesquisa de Filosofia Medieval. Tem experiência em Monitoria de ensino superior (Filosófico), pesquisa e produção científico-filosófica em Giambattista Vico. Foi bolsista do Programa de Pesquisa do PIBIC/ FAPEMIG, ligada ao Projeto de Pesquisa do Professor Dr. Afonso Murad, na área da Ecoteologia.

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