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Em tempos de pandemia, os gritos ecoam ainda mais fortes

Vida em primeiro lugar: “Na luta por participação popular, saúde, comida,

moradia, trabalho e renda já!” Grito dos excluídos 2021

Por Magda Melo

“Há os que se queixam do vento. Os que esperam que ele mude.

E os que procuram ajustar as velas”.

William G. Ward

 

Estamos realizando junto com a articulação nacional a 27ª edição do grito dos excluídos que anualmente acontece na Semana da Pátria e leva milhares de pessoas às ruas para demandar, reivindicar e exigir que seus direitos mais básicos sejam cumpridos e contribui para uma mudança cultural na forma de se comemorar a Semana da Pátria, visto como um horizonte de luta.

O Grito dos Excluídos foi idealizado inicialmente pela CNBB, em 1995, através das pastorais sociais. Sendo uma articulação entre Pastorais, Movimentos Sociais, Igreja e Movimentos Populares.

Neste ano, com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar” é proposto o lema: “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”.

Mesmo com o tema e lema específico, cada local deve incluir os seus gritos a partir de suas realidades, articulando, transformando e reivindicando, junto aos poderes, buscando resultados, construindo pontes. Papa Francisco tem afirmado que “A exclusão não é uma questão específica de setembro, ela é resultado de um sistema que exclui, que degrada e que mata”.

Como cristãos e como sociedade organizada não podemos ficar indiferentes, temos que gritar por terra, território, soberania alimentar; moradia digna, direito à cidade; saúde, vacina, SUS; educação e a retomada das aulas; trabalho, emprego, renda; por vacina, contra a corrupção na compra de vacina; auxílio emergencial; pela suspensão de reintegração de terra; juventude, democracia, soberania, privatizações, desmonte do Estado; militarização; violência contra a população negra, indígena, mulheres, LGBTQI+, crianças e adolescentes, pessoas em situação de rua, imigrantes.

As Comunidades Eclesiais de Base, acompanham o Grito ao longo desses anos, e chamam o povo para ir às ruas colocarem suas reivindicações e demandas em evidência, mesmo desafiados pela pandemia do novo coronavírus. Ser denúncia, anúncio e animação diante da difícil realidade em que vivemos, com o desgoverno e avanço descontrolado de mortes pela pandemia da Covid 19, da violência, do desmonte das políticas públicas. Um momento de anunciar a importância da unidade das organizações e lutadores e lutadoras do povo pela garantia dos direitos sociais básicos – casa, comida, trabalho, terra, renda – e por um novo projeto de sociedade.

E assim acontecerá em várias partes do país. A coordenação do Grito dos Excluídos está animando grupos que em todo Brasil estão encontrando formas criativas para realizar mobilizações presenciais e organizadas coletivamente ou transmitidas pelos meios digitais. “O Grito já está acontecendo de várias formas. Vai ter mobilização de rua, com todos os cuidados, em alguns locais, vai ter rodas de conversas presenciais ou virtuais”.

O Grito incentiva e chama a população para descruzar os braços, descer das arquibancadas, deixar de ser somente plateia – que ora aplaude, ora vaia – para ser sujeito na luta por mudanças. Cada um e cada uma que queira somar e fazer esse processo de construção coletiva do 27º Grito dos(as) Excluídos(as), procure a organização, articulação, na sua paróquia, diocese, na sua cidade e ou no seu Estado e faça parte desse grande mutirão.

Vida em primeiro lugar!

Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia,

trabalho e renda já!

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